domingo, 19 de fevereiro de 2017

Transportes públicos na Suécia


Apps. Com a app tudo se faz. Ver o horário? Na app. Verificar atrasos? Na app. Comprar o bilhete? Na app. Pagar com notas e moedas? Não existe. E nem é exagero. Não se aceita pagamento com notas e moedas a bordo.

Animais de estimação. Podem viajar em todo o lado - comboio, autocarro e metro. Os comboios têm uma carruagem (ou parte dela) especialmente destinada a quem viaja com animais de estimação. É a carruagem mais fofinha de todas!

No autocarro. As pessoas esperam até o autocarro parar para se dirigirem à porta. Não há pressa porque o motorista espera. Também costuma esperar até as pessoas se sentarem para arrancar.

À espera do autocarro. Por um motivo que desconheço, as pessoas esperam pelo autocarro uns dois metros após a paragem do autocarro e não na paragem de autocarro (!).

O embarque. Em Portugal embarca-se religiosamente por ordem de chegada à paragem e quem tentar passar à frente arrisca-se a causar um motim (especialmente no Porto). Aqui não há ordem de embarque. Acontece muitas vezes o último a chegar à paragem ser o primeiro a entrar no autocarro, e o primeiro a chegar ser o último a entrar(!). Isto só se aplica aos transportes públicos. Em todos os outros contextos, os Suecos fazem fila direitinho.

O bilhete de autocarro é válido durante algum tempo. Em Estocolmo pode-se usar o mesmo bilhete de forma ilimitada durante 75 minutos. Em Örebro são três horas. É óptimo.

É caro. O bilhete simples de autocarro/metro custa 30 coroas (3,20 euros) em Estocolmo.

No comboio. Todos têm WC. Dá para reservar lugar. A grande maioria dos comboios tem wi-fi, e oferecem acesso grátis a montes de jornais online.

Atrasos. A SJ, que é a C.P. aqui do sítio, oferece reembolso do bilhete quando o atraso ultrapassa um certo período de tempo. Por exemplo 50% do valor quando o atraso ultrapassa os 20 minutos em viagens curtas (menos de 150 km).

Por outro lado... os comboios atrasam-se muito mais aqui na Suécia do que em Portugal. Muito. Mais. (O mesmo não se aplica aos autocarros.)

Fidelidade. Os suecos adoram programas de fidelidade. (Até no restaurante de dumplings asiáticos aqui do bairro oferecem um cartão de fidelidade - compra 10 menus e recebe um grátis). Por cada bilhete de comboio comprado na SJ, acumula-se pontos (é preciso criar conta no site - visitem, é lindo). Os pontos podem ser usados para comprar bilhetes e coisas no bar do comboio. É muito bom para quem, como eu, anda sempre de um lado para o outro.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Eu também tenho uma opinião sobre o Dia dos Namorados


Vou começar por dizer o óbvio. É uma data comercial.
Se isso me importa? Não. Porque se me chamarem para celebrar o Ano Novo Chinês eu também vou. Se me chamarem para celebrar o Hanukkah, eu vou. Se me chamarem para um baby shower, eu vou. Se me chamarem para a festa de aniversário do periquito favorito da tia Serafina, eu vou.

Eu gosto de todas as ocasiões que servem para celebrar os bons momentos da vida com as nossas pessoas e que nos inspiram a passar tempo juntos, a experimentar uma receita nova, a abrir uma garrafa de champanhe, a comprar flores, que dão cor à casa. A verdade nua e crua é que, se olharmos à nossa volta, a vida é frágil e o mundo está cheio de chatices. Celebrar estas datas é, para mim, celebrar a vida e a saúde. 

Quanto ao consumismo, acho que só vai nessa onda quem quer (e não julgo por isso). Acho que celebrar o Dia dos Namorados, ou qualquer outra data, não requer comprar grandes presentes, não requer grandes gestos. Há formas simples de assinalar estas coisas. Para nós, vai ser um jantar caseiro. E três rosas, que me foram entregues em casa como nos filmes. 


Entendo perfeitamente que esta data não seja a data mais apreciada por quem está solteiro, e entendo quem decide simplesmente não festejar mesmo estando numa relação.  Mas é a tal coisa sobre o amor, ele já é, por si próprio, uma celebração. Não precisa de ser amor romântico. Pode ser amor de família, amizade, amor-próprio, amor ao próximo, amor a uma causa. O importante é haver amor (e chocolate).

P.S. Na Suécia chama-se "Alla hjärtans dag", traduzido literalmente "Dia de todos os corações".


domingo, 12 de fevereiro de 2017

O que fazer em Estocolmo num domingo


Ir ao brunch com o namorado e comer pelo menos cinco ostras! 




No Radisson Waterfront (mesmo à beira da estação central)

Ah, e dar um passeio ao sol, que nunca se sabe quando é que ele resolve voltar.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Estocolmo e a qualidade de vida


Estocolmo é um arquipélago, ou seja, é uma cidade composta por várias ilhas (mas ligadas por pontes). O que significa que nunca se está longe do Mar Báltico ou de um lago. E depois há os parques e as pequenas florestas. Estocolmo é uma capital, mas é tão fácil encontrar refúgios do movimento e da confusão! Estão em todo o lado. Eu digo sempre que, para cidade-capital, Estocolmo oferece uma qualidade de vida (e de ar) fabulosa. As fotos são de um passeio de Hornstull a Skanstull, ao longo do lago.



A tendinha na foto acima é uma sauna portátil. Obrigada Suécia!
Embora o uso da sauna não seja tão comum hoje em dia como era antigamente, os Suecos ainda mantêm a tradição. Um ditado popular interessante acerca da sauna: I kyrkan och i bastun skall man uppföra sig lika, que significa que nos devemos comportar tão bem na sauna como nos comportamos na igreja.
Bastu = sauna
Kyrka = igreja (lê-se "xirka")


Com tanto mar e lago, a posse de barco é muito comum. Aqui estão eles no "parque de estacionamento".



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A Suécia e os tabus #2


Dar beijinhos. Esta é mais uma que provavelmente já comentei, mas é tão importante que vale a pena relembrar. Os Suecos não dão beijinhos na cara.  Os Suecos cumprimentam com um aperto de mão em situações formais e dão abraços aos amigos. Para eles, dar beijinhos na cara é considerado íntimo e semi-sexual. Para mim é ao contrário. Os abraços parecem-me íntimos (há muito mais contacto físico) e levou algum tempo a adaptar-me a eles. Mas voltando aos Suecos. É claro que eles tentam adaptar-se quando visitam outras culturas, na onda "em Roma sê romano", e se forem a Portugal e conviverem com Portugueses o mais provável é até darem uns beijinhos tímidos... Mas, na Suécia, não contem com isso. Em caso de dúvida, cumprimentem com um simples "olá". Resulta perfeitamente!

Perguntar o sexo do bebé. A amiga Sueca está grávida? O melhor é não perguntar o sexo do bebé. Muitos Suecos optam por não querer saber até ao nascimento, e pelo que me contam, no hospital só lhes dão essa informação se pedirem expressamente. E isto tem muito a ver com a igualdade entre os sexos, e com a ideia de o sexo do bebé não fazer diferença. O melhor é comprar uma prenda unisexo para o(a) bebé e conter a curiosidade. É um tópico bastante delicado.

"Os homens são mesmo assim ha ha...". Isto que se segue varia bastante de região para região e até entre classes sociais, mas pelo menos em Estocolmo (a Meca do politicamente correcto), discutir diferenças entre os sexos é tabu e meio. A Suécia é um dos países do mundo que mais progresso fez no que diz respeito à igualdade de direitos entre homens e mulheres (boa!), mas o feminismo continua mais vivo do que nunca. Vê-se muita gente com tatuagem feminista. Fala-se de feminismo e de igualdade diariamente. No jornal, na televisão, na pausa do café, na internet. É uma discussão muito acesa e normalmente comentários sobre atributos "tipicamente" masculinos e femininos, ou à distribuição tradicional de tarefas, ou resultam em fricção ou em silêncios desconfortáveis. Eu evito simplesmente esse tipo de conversas. Sim, considero-me feminista, por acreditar e desejar a igualdade de direitos entre os sexos e tudo o que isso implica. Porque para mim é esse o significado do feminismo. Mas também sei que nem toda a gente tem a mesma definição, e que tudo o que se diz tem potencial para ser mal interpretado. E também sei que, por ser do Sul da Europa, muitas vezes a gente parte do princípio que eu não estou sensibilizada para questões de desigualdade entre os sexos - o que também contribui para más interpretações.  O melhor é falar do Ronaldo mesmo. Ou das ondas da Nazaré!


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A Suécia e os tabus #1


Cada país tem os seus tabus, alguns mais oficiais do que outros. E é importante ter noção desses tabus quando nos mudamos para um novo país. Alguns destes aprendi por observação, outros aprendi por transmissão e outros aprendi the hard way mesmo. Eu digo sempre que deve haver poucos países, na Europa, mais diferentes entre si do que a Suécia e Portugal. E a verdade é que até na Finlândia encontrei mais coisas em comum com Portugal do que aqui!

Aqui vão três tabus. 

Não tirar os sapatos à porta de entrada de casa. O mais certo é já ter mencionado isto aqui no blog, mas é muito, muito, muito importante. Se forem a casa de Suecos, pelo amor de Deus tirem os sapatos logo à porta de casa. Acho que a forma mais fácil de ofender o vosso anfitrião Sueco é ignorar esta regra. E não se preocupem que o chão não é frio. Eles praticamente não usam tijoleira dentro de casa. Só parquet (nas casas mais "luxuosas") e linóleo. E algo que aprendi muito recentemente é que até andar completamente descalço (sem meias) pode ser mal visto. Muita gente anda com um par de meias na carteira (no Verão, época da sandália) ou traz mesmo um par de pantufas ou sapatos de andar por casa quando está de visita. A regra aplica-se a contexto de trabalho também. Quando faço visitas domiciliárias tiro os sapatos na mesma.

Não trazer um presente. E por falar em visitas. Na Suécia considera-se má educação não trazer um pequeno presente quando se é convidado (para jantar, pernoitar etc) a casa de alguém. Os presentes mais comuns são uma garrafa de vinho, flores ou uma caixa deste chocolate.

Não perguntar se é preciso trazer lençóis ou toalha. Quando dormem em casa de alguém, os Suecos costumam levar os seus próprios lençóis e toalha de banho. Esta gente tem horrooor a dar trabalho a terceiros. Às vezes o anfitrião oferece lençóis e toalha mas o mais correcto é perguntar antecipadamente, para evitar situações constrangedoras.

E é tudo por enquanto. Para a semana há mais!

sábado, 14 de janeiro de 2017

Muda de rumo


Amanhã começa o último semestre da minha licenciatura. Já aqui vos contei um bocadinho a aventura que foi mudar  de rumo e tirar uma segunda licenciatura, ainda por cima em Sueco , numa cidade nova e aos 26 anos (e recebi comentários muito bonitos, obrigada!). Foi um dos maiores desafios da minha vida, a vários níveis, mas hoje não podia estar mais feliz por ter acreditado no meu coração e ter dado o salto.

Ultimamente tenho-me deparado com pessoas que estão na encruzilhada em que eu estava há três, quatro anos atrás. E a mensagem que eu gostaria de passar é:

Em primeiro lugar, hoje em dia trabalhamos (em Portugal) até aos 66 anos. Quem muda de rumo aos 40, ainda tem 26 anos de carreira para frente. Quem muda aos 45, ainda tem 21 (sempre tive muito jeito para a matemática...)! E por aí adiante. São muitos anos a trabalhar. Mais vale fazer algo de que gostamos.

Em segundo lugar, as pessoas até podem ter opiniões formadas mas no final do dia, mais n-i-n-g-u-é-m vive com as consequências do que fazemos ou deixamos de fazer. Só nós! Aquela pessoa que questiona, critica, desanima ou simplesmente não apoia? Dorme muito bem à noite, enquanto tu ficas acordado(a) a pensar no que hás-de fazer à vida. E junta-se a isso o facto de que as pessoas que nos dão conselhos nem sempre nos conhecem a fundo, nem sempre têm ambições próprias etc etc etc. Pode parecer drástico, mas sou da opinião que devemos seleccionar muito cuidadosamente as pessoas a quem damos o direito de influenciar as nossas escolhas, especialmente no que diz respeito a algo tão importante.

E é tudo. Muda de rumo, se quiseres. Se não quiseres, também não faz mal.

P.S. Perdoem-me o clichet, mas se as minhas palavras contribuíssem para que nem que fosse uma única pessoa perdesse os seus medos e voasse atrás do que quer na vida, eu dava este blog como útil. Por isso fiquem à vontade para partilhar as vossas histórias de mudança, se as tiverem. Quero saber tudo!