terça-feira, 21 de março de 2017

Sobre a emigração, a felicidade e as comparações


Desde que saí de Portugal tenho tido oportunidades que não teria se tivesse permanecido em Portugal. Tenho conhecido gente de todo o mundo, posso fazer mais viagens, posso permitir-me certos luxos (sobretudo antes de começar a estudar em full-time), tenho mais direitos enquanto trabalhadora, estudante, cidadã e mulher. Mas, sem querer fazer-me de vítima, também passei por muito para chegar aqui. Já descrevi algumas dessas coisas aqui no blog, mas não cheguei a descrever 10% delas, e no Facebook muito menos. 

É fácil de esquecer (apesar de ter quase a certeza que se aplica a todos os emigrantes e talvez mesmo a todas as pessoas), mas por cada fotografia/post de conquistas, pequenos luxos, bons momentos etc que aparecem nas redes sociais, há muitos momentos difíceis que não se vêem. Não sabemos as batalhas que os outros travam ou tiveram de travar. 

Diz que ontem foi o Dia da Felicidade e estou longe de ser um Dalai Lama mas arriscaria a dizer que uma das chaves da felicidade é parar de nos compararmos com terceiros, e dar graças por aquilo que temos. Eu sei que tento. Até uso uma aplicação "de dar graças" no iPhone (chama-se Gem, mas há muitos mais por aí). 

Desejo muita felicidade e gratidão a quem passa por este canto. 

sexta-feira, 10 de março de 2017

Os meus corações feitos à mão


Hoje entreguei a tese, todas rejubilam! E para relaxar depois deste período de stress fui dar uma volta pela vizinhança e visitar uma loja aqui perto que acabou de abrir. Acabei por comprar papel de origami, sobretudo para demonstrar o meu apoio por ser uma loja familiar. Mas regressada a casa, apeteceu-me entrar em acção, e o resultado foram estes meninos:



Vou usá-los como "etiqueta" de prendas, tive alguns aniversários de pessoas próximas recentemente e acho que há algo especial em dar e receber coisas feitas à mão. Fazem-se em menos de 5 minutos e penso que são óptimos para fazer com crianças. 

As instruções (imagens) estão aqui. A página está em Sueco mas se andarem um bocadinho para baixo encontram as imagens e não dá para enganar. 

Dá para fazer com qualquer tipo de cartolina (não demasiado fina, não demasiado espessa), desde que seja em forma de quadrado. 

Bom fim-de-semana!

terça-feira, 7 de março de 2017

O inverno Sueco


Não vos vou mentir. O inverno Sueco é longo. Por cá chamam a esta altura do ano "vinter halvåret". "Vinter" significa inverno. "Halvåret" significa meio ano/metade do ano... Façam a vossa própria tradução. 

A grande vantagem é que não se passa frio dentro de casa. Nesse aspecto, o inverno em Portugal é bem mais chato. Outra vantagem é que praticamente não chove. O ar é seco, o que ajuda a lidar com o frio. Frio aliado a humidade é que ninguém merece. Os dias começam finalmente a ficar mais longos. E este inverno tem sido muito suave em comparação com outros. Quem vive na Suécia memoriza as estações do ano. Perguntem a quem quiserem. Vão-vos contar que o inverno 2010/2011 foi terrível e que no verão de 1997 choveu muito.

Toda a gente tem uma estratégia para lidar com o inverno. Muitos fazem viagens para destinos exóticos, de preferência a Tailândia. Há quem invista no exercício. Há quem aproveite para comer tudo o que quer. Há quem invista nos desportos de inverno. Este ano, a minha estratégia tem sido maratonas de Netflix e pensar no verão. Já comprei quatro tops de verão. Agora só resta esperar uma oportunidade de os usar. Nem que seja no verão de 2019. Ou algo do género.


quinta-feira, 2 de março de 2017

Podem tirar a rapariga de Portugal mas não podem tirar Portugal da rapariga


O tema da conversa era um amigo que por motivos de saúde tem imensas restrições alimentares e neste momento apenas pode comer (literalmente) um par de alimentos.

A primeira pergunta da Joana: mas e então azeite, pode?

Há coisas que não mudam.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Transportes públicos na Suécia


Apps. Com a app tudo se faz. Ver o horário? Na app. Verificar atrasos? Na app. Comprar o bilhete? Na app. Pagar com notas e moedas? Não existe. E nem é exagero. Não se aceita pagamento com notas e moedas a bordo.

Animais de estimação. Podem viajar em todo o lado - comboio, autocarro e metro. Os comboios têm uma carruagem (ou parte dela) especialmente destinada a quem viaja com animais de estimação. É a carruagem mais fofinha de todas!

No autocarro. As pessoas esperam até o autocarro parar para se dirigirem à porta. Não há pressa porque o motorista espera. Também costuma esperar até as pessoas se sentarem para arrancar.

À espera do autocarro. Por um motivo que desconheço, as pessoas esperam pelo autocarro uns dois metros após a paragem do autocarro e não na paragem de autocarro (!).

O embarque. Em Portugal embarca-se religiosamente por ordem de chegada à paragem e quem tentar passar à frente arrisca-se a causar um motim (especialmente no Porto). Aqui não há ordem de embarque. Acontece muitas vezes o último a chegar à paragem ser o primeiro a entrar no autocarro, e o primeiro a chegar ser o último a entrar(!). Isto só se aplica aos transportes públicos. Em todos os outros contextos, os Suecos fazem fila direitinho.

O bilhete de autocarro é válido durante algum tempo. Em Estocolmo pode-se usar o mesmo bilhete de forma ilimitada durante 75 minutos. Em Örebro são três horas. É óptimo.

É caro. O bilhete simples de autocarro/metro custa 30 coroas (3,20 euros) em Estocolmo.

No comboio. Todos têm WC. Dá para reservar lugar. A grande maioria dos comboios tem wi-fi, e oferecem acesso grátis a montes de jornais online.

Atrasos. A SJ, que é a C.P. aqui do sítio, oferece reembolso do bilhete quando o atraso ultrapassa um certo período de tempo. Por exemplo 50% do valor quando o atraso ultrapassa os 20 minutos em viagens curtas (menos de 150 km).

Por outro lado... os comboios atrasam-se muito mais aqui na Suécia do que em Portugal. Muito. Mais. (O mesmo não se aplica aos autocarros.)

Fidelidade. Os suecos adoram programas de fidelidade. (Até no restaurante de dumplings asiáticos aqui do bairro oferecem um cartão de fidelidade - compra 10 menus e recebe um grátis). Por cada bilhete de comboio comprado na SJ, acumula-se pontos (é preciso criar conta no site - visitem, é lindo). Os pontos podem ser usados para comprar bilhetes e coisas no bar do comboio. É muito bom para quem, como eu, anda sempre de um lado para o outro.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Eu também tenho uma opinião sobre o Dia dos Namorados


Vou começar por dizer o óbvio. É uma data comercial.
Se isso me importa? Não. Porque se me chamarem para celebrar o Ano Novo Chinês eu também vou. Se me chamarem para celebrar o Hanukkah, eu vou. Se me chamarem para um baby shower, eu vou. Se me chamarem para a festa de aniversário do periquito favorito da tia Serafina, eu vou.

Eu gosto de todas as ocasiões que servem para celebrar os bons momentos da vida com as nossas pessoas e que nos inspiram a passar tempo juntos, a experimentar uma receita nova, a abrir uma garrafa de champanhe, a comprar flores, que dão cor à casa. A verdade nua e crua é que, se olharmos à nossa volta, a vida é frágil e o mundo está cheio de chatices. Celebrar estas datas é, para mim, celebrar a vida e a saúde. 

Quanto ao consumismo, acho que só vai nessa onda quem quer (e não julgo por isso). Acho que celebrar o Dia dos Namorados, ou qualquer outra data, não requer comprar grandes presentes, não requer grandes gestos. Há formas simples de assinalar estas coisas. Para nós, vai ser um jantar caseiro. E três rosas, que me foram entregues em casa como nos filmes. 


Entendo perfeitamente que esta data não seja a data mais apreciada por quem está solteiro, e entendo quem decide simplesmente não festejar mesmo estando numa relação.  Mas é a tal coisa sobre o amor, ele já é, por si próprio, uma celebração. Não precisa de ser amor romântico. Pode ser amor de família, amizade, amor-próprio, amor ao próximo, amor a uma causa. O importante é haver amor (e chocolate).

P.S. Na Suécia chama-se "Alla hjärtans dag", traduzido literalmente "Dia de todos os corações".


domingo, 12 de fevereiro de 2017

O que fazer em Estocolmo num domingo


Ir ao brunch com o namorado e comer pelo menos cinco ostras! 




No Radisson Waterfront (mesmo à beira da estação central)

Ah, e dar um passeio ao sol, que nunca se sabe quando é que ele resolve voltar.